Dele se diz que é "o rei dos jogos e o jogo dos reis".
Gostaria de falar, inicialmente, sobre as origens deste jogo que, na verdade, são nebulosas...Atribui-se sua origem a civilização suméria, da Mesopotamia. Já outros estudiosos afirmam que este jogo teria sua origem no “Pachisi”, um jogo indiano. De qualquer forma, sua origem é muito antiga. Suas regras obviamente, foram se modificando ao longo dos séculos. Mas nunca deixou de encantar as gerações e as civilizações que o conheceram.
Uma lenda indiana afirma que teria sido o jogo inventado por um sábio de nome Caflan, e teria a seguinte simbologia: 24 flechas que simbolizariam as horas do dia; 12 flechas de cada lado do tabuleiro, representando os 12 meses do ano e os signos do zodíaco; 30 peças para os 30 dias do mês; dois dados representando o dia e a noite e 7 (soma dos valores opostos de cada face de um dado) representando os dias da semana.
Segundo alguns historiadores, teria sido achado um tabuleiro de gamão na tumba de Tutankamon. Porém esta afirmação parece-me não ser verdadeira. Até onde eu pude pesquisar e descobrir, o que se encontrou na tumba do Faraó foi um tabuleiro de "Senat", um jogo aparentado do gamão, e que teria sido seu antecessor...
Seu fascínio é tanto, que chegou a merecer uma citação nas obras do filósofo Platão. Com o passar dos tempos, teve diversas variações, inclusive uma jogada com três dados, em um tabuleiro com três fileiras de casas. É o chamado "ludus duodecim sciptorum" ("jogo das doze linhas") dos Romanos.
A variação mais comum, porém, parece ter sido a “Tábula”, jogo que se utiliza do mesmo tabuleiro do Gamão atual, porém é jogado somente com 10 peças para cada contendor (ao contrário do Gamão tradicional e suas variações atuais, que é jogado com 15 peças). Este jogo foi muito apreciado durante a Idade Média, sendo que para os ricos, foram feitos tabuleiros de marfim e madeiras preciosas, que são obras de arte ainda hoje expostas no Museu do Louvre.
O jogo teve suas regras regulamentadas em 1743 por Edmund Houle, sendo que em inglês, o jogo é chamado de "Back-Gammon", ou seja, o "jogo-de-voltar".
No Brasil, há notícias de que o gamão seria disputado pelos Bandeirantes, nas suas incursões de desbravamento.
Interessante também se notar que o Gamão, ao contrário da maioria dos jogos, é um jogo “assimétrico”, na medida em que um dos adversários percorre o tabuleiro no sentido horário e outro no sentido anti-horário. Parece-me isso um resquício “oriental”, já que os orientais não tem o "preconceito" encontrado nas civilizações ocidentais, contra a assimetria, que o jogo de Tábula (difundido entre os romanos) busca modificar, na medida em que neste último, as pedras são movimentadas no mesmo sentido, por ambos os jogadores...
Interessante, ainda, notar-se que o tabuleiro não tem posição certa. Pode-se iniciar em qualquer dos cantos (direito ou esquerdo), bastando que seu adversário escolha o canto oposto para iniciar a colocação de suas pedras. Eu gosto de jogar no sentido anti-horário, isto é, colocando minhas peças da direita para a esquerda.
O fascínio do jogo de gamão, em todas as suas variações, está no fato de ser jogado com dados mas, ao mesmo tempo, o resultado destes nem sempre é definitivo. Um jogador, mesmo com alguns resultados ruins, pode vencer uma partida, se tiver a necessária inteligência, perícia e conhecimento dos “atalhos” do tabuleiro.
Da mesma forma, um jogador medíocre, pode vencer uma ou outra partida, somente confiando no resultado dos dados. Mas, em uma série de partidas, certamente será perdedor contra um oponente mais hábil.